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Sinopse

A riqueza cultural da Paraíba é imensurável. Terra pródiga na semeadura da sensibilidade artística em seus brotos, é possível sentir essa relação entre as diferentes artes num espectro vasto, em que se esbatem as fronteiras entre as linguagens criativas e se embolam cordéis, repentes, danças, ritmos e tantas outras brincadeiras presentes na identidade cultural do estado. O livro ‘Na Embolada do Coco’ dá voz e espaço para que onze mestras da ciranda e do coco de roda contem suas histórias: Mestras Ana do Gurugi, Cícera, Cida, Edite, Lindalva, Odete de Pilar, Penha Cirandeira, Senhorinha, Têca de Cabedelo, Vó Mera e Zefinha são mais do que a arte pulsando viva, são versos, raízes e inspiração da identidade paraibana.

Coordenação Editorial: Dina Faria

Produtora Editorial: Gi Ismael

Produção de campo: Fabi Velôso

Assistentes de Produção: Ana Débora Oliveira e Michele Vasconcelos

Pesquisa e textos: Marcela Muccillo e Jéssyca Marins

Entrevistadas: Mestras Ana do Gurugi, Cícera, Cida, Edite, Lindalva, Odete de Pilar, Penha Cirandeira, Senhorinha, Têca de Cabedelo, Vó Mera e Zefinha

Autoras convidadas: Cátia de França, Socorro Lira e Luana Flores

Fotografia Artística: Fabi Velôso

Ilustrações: Luyse Costa

Fotografias autoras convidadas: Dina Faria (Cátia de França), Natália Di Lorenzo (Luana Flores) e Aurílio Santos (Socorro Lira)

Edição de Texto e Imagens: Dina Faria e Gi Ismael

Tratamento de Imagens: Estúdio Matiz Fine Arts Bureau

Direção de Arte e Diagramação: Luyse Costa

Transcrição de áudios: Ingrid Freitas

Revisão de texto: Dina Faria e Gi Ismael

Produção Gráfica: Anderson Rodrigues

Impressão: Gráfica JB

Website: WKL Arte

Mídias Sociais: Gi Ismael

Audiobook: Gi Ismael

Assessoria de Imprensa: Lide Comunicação Estratégica

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Podcast

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Ana do Coco

Mestra Ana Lúcia do Nascimento Rodrigues, filha de Mestra dona Lenita, neta de seu José Inácio e Dona Lina Rodrigues, quilombola, artesã, militante pelo território, ativista cultural, liderança comunitária, educadora, Ana do coco do Gurugi e Ipiranga. Como boa filha de Oxum, tem uma forte relação com as águas, com o rio onde se banha, onde tira suas mazelas e se fortalece.

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Cida

Mestra Cida é uma liderança quilombola de Caiana dos Crioulos, que tem a luta pela terra e pela igualdade racial muito presente em sua trajetória de vida. O coco, a ciranda e a agricultura são saberes tradicionais presentes, há muitas gerações, no cotidiano de quem nasce e vive no Quilombo, zona rural do município de Alagoa Grande, na Paraíba.

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Cícera

Mestra Dona Cícera é uma jovem senhora de sorriso largo e voz forte. A tradição de brincar coco e ciranda está na família há pelo menos quatro gerações. Nasceu na fazenda Maravilha, no distrito Pitanga da Estrada, município de Mamanguape, área que faz limite com o Sítio Pitanguinha, município de Jacaraú, localidade onde Dona Cícera, cresceu, se casou e vive ainda hoje constituindo uma grande família.

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    Edite

    Mestra Edite é uma mulher forte, doce e muito acolhedora, seja na forma como canta os cocos e ciranda, convidando o público a entrar na roda, seja na forma como abre sua casa para receber as pessoas interessadas em conhecer o Quilombo, as tradições culturais da comunidade e um pouco de sua história de vida. Ela é mãe, é avó e bisavó e tem como responsabilidade transmitir o legado deixado por seus ancestrais, a partir das práticas e saberes tradicionais que mantêm vivos em sua comunidade. E, nesse sentido, são muitos saberes de seus ofícios como agricultora, parteira e mestra de coco e ciranda.

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    Lindalva do Pandeiro

    Lindalva é mestra na arte da rima, memorização e improviso. Mulher de inteligência nata, pensamento perspicaz e respostas rápidas e certeiras, características necessárias para ser boa no coco de embolada. Trilhou grande parte de sua história e carreira de emboladora ao lado de sua irmã mais velha, Otilia Dantas de Lima, de nome artístico Terezinha, com quem formou a conhecida dupla Terezinha e Lindalva.

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      Odete de Pilar

      Odete Josefa da Conceição Souza, a Mestra Odete de Pilar, carrega no seu nome artístico o lugar onde nasceu como sinal de orgulho da terra de onde veio. Ela nasceu no dia 15 de abril de 1953, no Sítio Lagoa do Gonçalo, na zona rural de Pilar. Dona de uma das vozes mais bonitas e marcantes da cultura paraibana, quando Odete sobe no palco, não tem quem consiga ficar parado com a energia que essa senhora transmite, no alto dos seus setenta anos de idade, com a força de seu canto e do toque do seu bumbo. Canta de tudo: coco, ciranda, forró, cavalo-marinho e lapinha, pois é “cantando que se espanta a tristeza”, costuma dizer.

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      Penha Cirandeira

      Dona de uma voz marcante e potente, Penha Cirandeira é uma artista expressiva que, além de cantar, como exímia instrumentista domina o toque da zabumba com a pancada precisa de sua marreta. Como mestra, é conhecedora de diversos saberes da cultura popular: são aboios, pontos de jurema, cocos e cirandas que fazem parte deste amplo repertório. Ao pai, atribui uma herança negra, oriunda do Quilombo de Caiana dos Crioulos, lugar de forte tradição cultural do coco, ciranda e banda cabaçal. À mãe, reconhece uma herança indígena: “eu nasci dentro do mato, minha mãe era quase uma índia...”. Os conhecimentos da lida com a maré, Penha atribui também a uma herança materna.

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      Senhorinha

      Dona Senhorinha é uma mestra que vivencia a tradição do coco de roda e ciranda desde o seu tempo de menina. É ela a organizadora do Coco de Roda e Ciranda - Resgatando a Cultura, de Barra de Camaratuba, junto ao mestre Raminho, seu marido e o tocador de zabumba do grupo. Embora seus pais fossem naturais de Barra de Camaratuba, na Paraíba, a família de agricultores migrou para o Rio Grande do Norte atrás de oportunidades de trabalho, passando anos morando e trabalhando na fazenda, atuando na lavoura com roça de feijão, batata, milho e macaxeira. O pai de Dona Senhorinha era tocador e cantador de coco e ciranda. Foi vendo a brincadeira de perto, nas festas que ocorriam no Sítio Pituba, que Dona Senhorinha passou a se interessar pelo coco e pela ciranda, embora o pai não incentivasse o envolvimento da filha.

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      Vó Mera

      Nascida em Alagoinha mas criada em Guarabira, na fazenda Tananduba, onde trabalhou com sua mãe na plantação de algodão até os dezoito anos de idade, Dona Domerina Nicolau da Silva, popularmente conhecida por Vó Mera, é, no alto dos seus 88 anos, o exemplo vivo de que não há idade para começar, encarando cada nascer do dia como uma possibilidade de uma nova jornada. Vó Mera sempre cantou coco e ciranda com a mãe, seja na plantação de algodão, no roçado, no rio ou nos afazeres domésticos. Ainda criança, compunha cocos e cirandas, mas foi aos 60 anos de idade que começou sua trajetória como cantadora de coco.

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      Zefinha

      Josefa Matias da Conceição, conhecida por Dona Zefinha, indígena do povo potiguara, é aquele tipo de pessoa que você não consegue ficar sem sorrir diante de sua presença. Dona de energia e bom humor contagiantes, ela é o que costumamos chamar aqui na Paraíba de “gaiata”. Pense numa mulher bem humorada! Mestra de muitos saberes tradicionais, atua na agricultura, na pesca artesanal, no artesanato e na brincadeira do coco e ciranda. Dona Zefinha aprendeu a tocar zabumba e tomar gosto pela brincadeira do coco com o seu pai Seu Miguel Matias, e, aos dez anos de idade, já o acompanhava nas rodas que aconteciam na Aldeia Cumaru. Para Dona Zefinha, “o coco é uma festa que confraterniza, que bota todo mundo pra brincar junto, pra ficar feliz”.

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      Têca do Coco

      Terezinha da Silva Carneiro, Mestra Têca, é uma cantora brincante sempre disposta a participar de festas e eventos para mostrar a cultura do coco e ciranda, tradição de família que vem atravessando gerações. É ela a matriarca e responsável pelo grupo fundado pelos seus pais, no qual participam seus irmãos, filhos, netos, bisnetos e sobrinhos, além de outros participantes da comunidade. Filha mais velha de doze filhos de Dona Domerina e Seu Benedito, Mestra Têca nasceu em Bayeux, na Paraíba, no dia 25 de fevereiro de 1941. Desde 1992, comanda o grupo Coco de Roda do Mestre Benedito, fundado por seu pai em Cabedelo nos anos 1970.

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